Cosmotécnica: pensando a tecnologia como visão de mundo
Conteúdo do artigo principal
Resumo
Assim como em outras áreas da filosofia, a história da tecnologia foi contada de modo a universalizar nossa percepção e recepção da técnica em nossas vidas. Assim, quando falamos sobre tecnologia hoje, é difícil pensar em algo diferente do que o Ocidente e o pensamento moderno definiram como “tecnologia” e do que pode ser considerado “tecnológico”. Diante disso, este artigo discute o conceito de cosmotécnica(s) como possibilidade de imaginar novas formas de vida e futuros possíveis a partir da relação com as tecnologias digitais. A tecnologia, nesse sentido, não se reduz a um conjunto de habilidades para fabricar instrumentos, mas constitui uma forma de pensar e criar visões de mundo, valores e modos de existência. Com base em Hui e em Deleuze e Guattari, propomos um novo paradigma estético e tecnológico que abra espaço para outras relações, afetos e desejos — além da concepção de tecnologia desenvolvida pelo Norte Global.
Detalhes do artigo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Nota de Direitos Autorais
O autor do artigo ou resenha submetido e aprovado para publicação autoriza os editores a reproduzi-lo e publicá-lo na a revista O que nos faz pensar, entendendo-se os termos "reprodução" e "publicação" conforme a licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional. O artigo ou resenha poderá ser acessado tanto pela rede mundial de computadores (WWW – Internet), como pela versão impressa, sendo permitidas, a título gratuito, a consulta e a reprodução do texto para uso próprio de quem a consulta. Essa autorização de publicação não tem limitação de tempo, ficando os editores da revista O que nos faz pensar responsável pela manutenção da identificação do autor do artigo.
Referências
CABAÑES, E. Identidades digitales: del cuerpo-avatar al yo-cuantificado. In: Sociedad Tecnológica y Futuro Humano, vol. 2: O ser humano na era tecnológica. Tirant lo Blanch, Universidad Mayor de Chile, 2021.
DESCOLA, P. Beyond Nature and Culture. University of Chicago Press, 2014.
DELEUZE, G. Post-scriptum sobre as sociedades de controle. In: Conversações: 1972-1990. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1992.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil Platôs. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 1996. v. 3.
DI FELICE, M. Paisagens pós-urbanas: o fim da experiência urbana e as formas comunicativas do habitar. São Paulo: Annablume, 2009.
FEENBERG, Andrew. Racionalização subversiva: tecnologia, poder e democracia. In: NEDER, Ricardo T. (org.). A teoria crítica de Andrew Feenberg: racionalização democrática, poder e tecnologia. 3. ed. Brasília: Observatório do Movimento pela Tecnologia Social na América Latina / CDS / UnB, 2013. p. 69-95.
GUATTARI, Félix. Caosmose: um novo paradigma estético. Rio de Janeiro: Editora 34, 1992.
HARAWAY, D. Manifesto ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo socialista no final do século XX. In: TADEU, T. (org.). Antropologia ciborgue: as vertigens do pós-humano. Belo Horizonte, MG: Autêntica Editora, 2009.
HAYLES, N. Katherine. How We Became Posthuman: Virtual Bodies in Cybernetics, Literature, and Informatics. Chicago: University of Chicago Press, 1999.
HUI, Yuk. Tecnodiversidade. Tradução de Humberto do Amaral. São Paulo: Editora Ubu, 2020.
HUI, Yuk. The question concerning technology in China: an essay in cosmotechnics. Falmouth: Urbanomic, 2016.
JURGENSON, N. Digital Dualism versus Augmented Reality. The Society Pages, 24, 2011.
LATOUR, B. Investigação sobre os modos de existência: uma antropologia dos Modernos. Tradução de Alexandre Agabiti Fernandez. Petrópolis, RJ: Vozes, 2019.
LATOUR, B. Jamais fomos modernos: ensaio de antropologia simétrica. Tradução de Carlos Irineu da Costa. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994.
LEROI-GOURHAN, A. Gesture and Speech. Massachusetts Institute of Technology, 1993.
MCLUHAN, M. Os meios de comunicação como extensões do homem. Tradução de Décio Pignatari. São Paulo: Editora Cultrix, 1995.
PRECIADO, P. Dysphoria mundi: o som do mundo desmoronando. Tradução de Eliana Aguiar. Rio de Janeiro: Zahar, 2023.
RUSSELL, L. Feminismo Glitch. Belo Horizonte: Ayine Editora, 2023.
VIVEIROS DE CASTRO, E. Perspectival Anthropology and the Method of Controlled Equivocation, Tipití: Journal of the Society for the Anthropology of Lowland South America: Vol. 2: Iss. 1, Art. 1, 2004 Available at: https://digitalcommons.trinity.edu/tipiti/vol2/iss1/1.
VIVEIROS DE CASTRO, E. Metafísicas canibais: Elementos para uma antropologia pós-estrutural. São Paulo: Ubu Editora, 2018.